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Artigos articles

03/09/2010 - Renato Estevão Biasi

A caminhada eclesial pós-conciliar junto ao povo Kaingang

O autor fez o seu mestrado sob a orientação do Prof. Dr. Dr. h.c. Paulo Suess (no contexto da pós-graduação em missiologia no ITESP). O objetivo central da sua dissertação é a memória, a análise e o horizonte das contribuições dos “Encontros da Pastoral Indigenista do Alto Uruguai – Epiau” para a ação missionária desenvolvida pela Igreja Católica na região do Interdiocesano Norte do Rio Grande do Sul junto ao povo Kaingang no período pós-conciliar. Os reflexos em termos de efetivação das propostas e dos compromissos assumidos foram analisados a partir da Pastoral Indigenista da Diocese de Passo Fundo. O trabalho desenvolve-se no sentido de localizar o Epiau no processo de renovação eclesial e no contexto mais amplo de mobilização e articulação popular por reformas políticas, econômicas e sociais, tanto na sociedade brasileira quanto em nível de continente latino-americano. A análise do Epiau teve como referência os relatórios produzidos ao término de cada encontro. Inicialmente, fez-se a memória da caminhada através da elaboração de um resumo de cada relatório, com destaque para temáticas, ações e compromissos assumidos. Na seqüência, encontra-se uma análise de conjunto a partir de alguns eixos temáticos, considerados linhas mestras da Pastoral Indigenista. O Epiau, ao longo destes mais de 25 anos, tem cumprido importante tarefa, de colocar a questão indígena na agenda dos desafios pastorais das dioceses e paróquias do Interdiocesano Norte. Um longo caminho já foi trilhado, muitas propostas e ações foram assumidas e efetivadas. Porém, algumas propostas e ações ficaram pelo caminho, produzindo um clima de desencantamento. Com isso, destaca-se a necessidade de retomar a causa indígena e seus desafios pastorais.

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31/08/2010 - Paulo Suess

Inovação pastoral da Igreja Católica: O Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

Este texto foi apresentado na Mesa Redonda “Missões religiosas e povos indígenas no tempo presente” das “XIII Jornadas Internacionais sobre as Missões Jesuíticas. Fronteiras e identidades: povos indígenas e missões religiosas”, organizadas pela Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em História, Linha de Pesquisa História Indígena, no dia 2 de setembro 2010.

Os benefícios da presença missionária para os projetos históricos dos povos indígenas podem ser avaliados pelo espaço que souberam criar para o reconhecimento e o protagonismo desses povos. Esta presença não é historicamente autônoma. Portanto, não pode ser inventariada separadamente do inter-relacionamento com outros atores e fatores de natureza política, econômica e sociocultural, que intervêm nos projetos de vida dos diferentes povos. Ao empenhar-se hoje na defesa do reconhecimento e do protagonismo dos povos indígenas, nas lutas pelo território e na costura de alianças de solidariedade, a Igreja Católica, através de seu braço pastoral, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), procura resgatar não os povos indígenas de uma suposta distância salvífica, mas sua sobrevivência e seu bem-estar com a vida.

 

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31/08/2010 - Paulo Suess

MISSÃO COLONIAL EM STAND BY: Os povos indígenas e a Igreja pós-conciliar

Este texto foi apresentado na Mesa Redonda: “Missões religiosas e povos indígenas no tempo presente” das “XIII Jornadas Internacionais sobre as Missões Jesuíticas. Fronteiras e identidades: povos indígenas e Missões religiosas”, organizadas pela Universidade Federal da Grande Dourados, Faculdade de Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em História, Linha de Pesquisa História Indígena, no dia 2 de setembro 2010.

A colonização encontra nas instituições uma disponibilidade permanente para exercê-la, como colonização ativa que aliena o outro e como passiva, que permite às pessoas se deixarem colonizar. Hoje também é difícil resistir à disposição colonizadora no interior de sociedades e Igrejas globalizadas, aliciadas e mordidas por propaganda e mercadorias, por modernizações conservadoras e desejos de hegemonia que, em seu conjunto, induzem à violência. O espírito colonial, esse desejo de fazer prevalecer a força física ou simbólica sobre o outro, é uma forma de alienação embutida na sociedade burguesa. Essa sociedade transforma as relações humanas em relações de troca e relações de troca estabelecem equivalências. Mercadorias, valores e dinheiro se tornam conversíveis. Tudo o que não é conversível, tudo o que não tem preço, como a dignidade humana, sofre pressões de adaptação. Os povos indígenas sofrem essa pressão de adaptação, acomodação e integração. O que não é adaptável, portanto, o que não pode ser transformado em valor de troca, ou é eliminado ou transformado em folclore. A dupla violência do neocolonialismo está na tentativa de homogeneizar o mundo nos patamares de uma sociedade de classe. Trata-se, portanto, de uma igualdade cultural imposta em condições de subordinação e exploração social. A mentalidade colonizadora está sempre esperando a sua vez, à espreita nas suas tocas modernizadas, ou, com uma expressão do mundo já colonizado, está em stand by.

 

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19/08/2010 - Paulo Suess

Viver Bem - Sumak Kawsay – Reino de Deus

No discurso público, o projeto de vida plena real para todos, desapareceu completamente. Vivemos não só num mundo pós-moderno, mas também num mundo pós-utópico. Exatamente neste momento pós-utópico emergiu em países latino-americanos muito pequenos e economicamente frágeis, a proposta de um projeto sócio-político alternativo.
Enquanto Brasil está competindo com os países com economias fortes, nas discussões constitucionais da Bolívia e do Equador irrompeu uma proposta que procura superar as políticas alinhadas com os projetos de hegemonia competitiva. Essa proposta, de origem kechwa, se articula em torno de um novo paradigma do “viver bem”, em kechwa, “sumak kawsay”. O “sumak kawsay” é uma utopia política não muito distante da nossa utopia do Reino. Ambos são precedidos ou representam um pachakuti, uma reviravolta em dimensões cósmicas. O pachakuti restabelece o equilíbrio perdido e abre o caminho para “viver em plenitude”.

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24/07/2010 - Paulo Suess

ATEUS E PÓS-SECULARES: dois interlocutores da missão ad gentes

O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Conferência Episcopal Portuguesa, o padre José Tolentino, declarou que com a morte de José Saramago, dia 18 de junho p. p., Prêmio Nobel de Literatura de 1998 e ateu confesso, “a Igreja perde um crítico com o qual soube dialogar constantemente”. Nas categorias do censo do CERIS, de 2004, com enfoque na migração religiosa, Saramago pertence ao pequeno grupo de 7,8% dos que se declaravam “sem religião”. Na pesquisa do CERIS, os “sem religião” são compostos por cinco categorias diferentes. “Sem religião” pode significar, “possuir uma religiosidade própria sem vínculo com igrejas” (41,4%); pode significar também “não frequentar nenhuma igreja e não possuir crenças religiosas” (29,4%), “não acreditar nas religiões” (15,1%), “não ter tempo para frequentar a igreja” (23,2%), e “não acreditar em Deus” (0,5%). Portanto, dos 7,8% “sem religião”, só meio porcento se declara ateus.

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24/07/2010 - Egon Heck

TRISTE TITULO

“No contexto político e econômico brasileiro e, em particular do Estado do Mato Grosso do Sul, pode-se dizer que o foco é fazer viver os grande proprietários, o grande capital e deixar morrer os povos indígenas” (Relatório de Violência contra os Povos Indígenas 2009, pg17).

“Mato Grosso do Sul, campeão de violências contra os povos indígenas. Até Quando?” Assim, há quatro anos atrás, anunciava  uma faixa num debate promovido pela CNBB regional, sobre a violência contra os povos indígenas deste estado. De lá para cá todos os anos a faixa continua sendo ostentada , ano após ano, o triste título.

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24/07/2010 - Saulo Ferreira Feitosa

Visita a Babau e Givaldo na Penitenciária Federal de Segurança Máxima

Chegamos a Mossoró, cidade localizada numa faixa de transição entre o litoral e o sertão do Rio Grande do Norte, ao entardecer do dia 15 de junho. Tudo era festa, a seleção brasileira acabara de estrear na Copa do Mundo e vencera a Coréia do Norte. Parecia que todas as pessoas haviam saído às ruas, era uma multidão em verde-amarelo. Luciano (Luciano Ribeiro Falcão, jovem advogado de causas populares) e eu parecíamos dois estranhos no ninho: não havíamos assistido ao jogo do Brasil, não vestíamos verde-amarelo e nem trazíamos no rosto qualquer expressão festiva. Estávamos tomados pela ansiedade de no dia seguinte poder visitar os irmãos Babau e Givaldo, dois importantes guerreiros do Povo Tupinambá, vítimas de uma grande e bem montada trama persecutória, razão pela qual se encontravam aprisionados na Penitenciária Federal de Segurança Máxima, localizada a poucos quilômetros de Mossoró. Não encontrava justificativa para o fato de estarem cumprindo uma injusta prisão preventiva em um ambiente destinado a abrigar presos considerados de alta periculosidade.

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04/05/2010 - Paulo Suess

TRAVESSIA:: ITINERÁRIO AUTOBIOGRÁFICO

Fui batizado com água de Colônia, porque nasci naquela cidade. Depois de uma viagem ao Egito e ainda estudante de teologia na Universidade de Munique, com 25 anos de idade, já estava convencido de minha vocação missionária. No Cairo tinha visitado mesquitas e pirâmides. Dormi nos templos de Abu Simbel, já perto da fronteira com o Sudão. Subi a montanha sagrada de Moisés, o Monte Sinai. Quando voltei às planícies acadêmicas estava decidido ir às missões. Em casa não se rezava o terço, nem se lia a Bíblia, mas se frequentava, como todo mundo na aldeia, a missa dominical. Os heróis dos meus quinze anos eram Albert Schweitzer e Mahatma Gandhi, o médico e teólogo no hospital de Lambarene, na África, e o libertador pacífico da Índia, o Davi que venceu o Golias colonizador. Logo depois da minha ordenação sacerdotal, em 1964, alguém da cúria diocesana de Augsburg me telefonou. “Você queria ir às missões. Aqui está um bispo franciscano do Brasil que procura sacerdotes.” A comunicação foi um convite. Dois anos mais tarde cheguei em Juruti, PA, na Prelazia de Óbidos. Fomos três: Marta, a enfermeira, Pedro, o colega, e eu, Paulo.

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30/04/2010 - Paulo Suess

Semelhanças, diferenças, alianças: Religião na Europa e América Latina a partir de um plebiscito suíço sobre a construção de minaretes

A Suíça é famosa pelo sigilo de seus bancos e pela precisão de seus relógios. Recentemente, esse país, com seus 7,7 milhões de habitantes, chamou a atenção mundial não por causa de um escândalo bancário ou por causa do atraso de um de seus reológicos, mas por causa de um plebiscito sobre a construção de minaretes (29.11.2009). O minarete é a torre de uma mesquita de onde os muezins chamam os fiéis muçulmanos para a oração. A grande maioria dos cerca de 350 mil muçulmanos suíços são migrantes da antiga Iugoslávia e da Turquia. De mais de 100 mesquitas naquele país, apenas quatro têm minarete – 57,5% dos eleitores, votaram pela proibição da construção de outros minaretes. Pesquisas de opinião mostraram que também em outros países europeus o resultado de uma consulta popular teria sido semelhante. Portanto, o que aconteceu na Suíça não representa um comportamento isolado. Ignorância e intolerância, que confundem o Islã com Al Qaeda e Talibã, se somaram ao medo de uma islamização do país, da perda da identidade cultural e da laicidade política. Por motivos diferentes, o governo suíço, o Vaticano, igrejas evangélicas e bispos católicos, setores da sociedade civil e de partidos políticos de esquerda se expressaram a favor da construção de novos minaretes. Em vão. As instituições políticas, religiosas e civis, com seus comunicados de opinião politicamente corretos, perderam o contato com o povo.

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30/04/2010 - Paulo Suess

MIGRAÇÃO, IDENTIDADE, INTERCULTURAÇÃO: Teses e fragmentos para um discernimento teológico-pastoral

A migração é atravessada por todas as questões cadentes da nossa civilização. Temas como territorialidade, urbanização, agronegócio, modelo de desenvolvimento, trabalho, sociedade de classe, identidade são como fios que formam um nó quase impossível de se desfazer. Para este texto, construído em forma de teses, foi proposto fazer um corte pela identidade e a interculturalidade, a partir do campo teológico-pastoral. Mesmo assim, no pedregulho da migração, todas as pás que procuram cavar fundo entortam. O resultado parece já estar pronto antes de se escrever a primeira linha, e aponta para duas opções: acabar com a migração ou acompanhá-la. O resultado, aparentemente impossível, questiona o sedentarismo eclesial e o estatuto sistêmico da prática pastoral.

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