5.4. PENTECOSTALISMO
Cipriani Gabriele
1. RESUMO E OBJETIVO
O Pentecostalismo em seu conjunto é um complexo muito variado de expressões
religiosas que têm seu centro de referência na profissão
de fé cristã. A diferença entre uma expressão
e outra é tão evidente que os estudiosos preferem falar ao plural
em pentecostalismos ou movimentos pentecostais.
O Pentecostalismo em geral se caracteriza como uma experiência religiosa
ou como uma espiritualidade cristã mais do que uma particular interpretação
do cristianismo. Não se trata, por exemplo, de uma teologia do Espírito
Santo, mas de uma maneira de sentir a presença ativa do Espírito
na comunidade dos crentes e de perceber a manifestação do poder
de Deus no mundo. Seu enorme crescimento e sua expansão levantam interrogações
sobre as formas futuras da maioria das comunidades cristãs. O objetivo
desta aula é proporcionar uma aproximação desse fenômeno
que perpassa todo o mundo cristão nas suas mais diferentes tradições.
2. ASPECTO METODOLÓGICO
A variedade das expressões
pentecostais nos diferentes países e culturas exige uma abordagem multidisciplinar
e dificulta a praxe pastoral e ecumênica. Os movimentos pentecostais
estão ainda em plena evolução. Nossa abordagem será,
portanto, histórica, fenomenológica e sistemática. Assim,
podemos investigar as raízes e a gênese do fenômeno, destacar
algumas das mais importantes expressões dos movimentos pentecostais
e evidenciar as diferentes caracterizações de alguns deles.
Para facilitar a compreensão do fenômeno buscaremos uma aproximação
maior dos fenômenos pentecostais no Brasil.
3. ESPIRITUAIS E CARISMÁTICOS
NA HISTÓRIA CRISTÃ
A tradição bíblica afirma a ação
livre de Deus no mundo pelo seu Espírito. A vida de Jesus de Nazaré
é marcada pela manifestação poderosa do Espírito
de Deus. O evento de Pentecostes e as sucessivas manifestações
do Espírito de Jesus fizeram de algumas das primeiras comunidades cristãs,
comunidades altamente carismáticas. A expectativa próxima do
fim do mundo acentuava a importância de fenômenos extraordinários
em comunidades cristãs das origens. Nos séculos seguintes, numerosas
pessoas e comunidades expressaram sua vivência da fé cristã
de maneira entusiasta e carismática. A diferença entre uma comunidade
e outra, entre um grupo e outro, é muito grande.
Alguns exemplos podem servir para ilustrar o perpetuar-se
desses fenômenos em ambientes cristãos. No século II d.C.,
quando estava desaparecendo do sentimento das comunidades cristãs,
a expectativa do fim próximo do mundo, o movimento montanista apresentou
uma perspectiva de milenarismo apocalíptico, dando uma atenção
especial às visões e às revelações. O grande
movimento monástico, particularmente oriental, também foi um
movimento carismático que fez dos monges "portadores do Espírito"
e pessoas que manifestavam a presença do Espírito também
através de ações extraordinárias.
A Idade Média é testemunha
da difusão do misticismo e do surgimento de movimentos espirituais.
Caso típico é o de Joaquim de Fiori que teorizou, num esquema
trinitário, o desenvolvimento da história da salvação.
Esta, no seu terceiro estágio, seria caracterizada pela Era do Espírito.
A Reforma Protestante também gerou em seu seio líderes e movimentos de entusiastas que enfatizavam a presença do Espírito nos indivíduos. Thomas Müntzer é o nome mais importante do período das origens da história da Reforma Protestante. A partir do século XVII, o movimento pietista, inspirado por alguns líderes espirituais como Jacob Spener, na Alemanha, e João Wesley, na área britânica, teve sua seqüência nos movimentos de reavivamento, especialmente nos Estados Unidos da América.
O ponto de partida desses movimentos é o retorno à vida no Espírito,
superando a rotina das formas institucionais, e a instalação
de uma nova era no mundo, através de uma nova ação evangelizadora.
O que há de comum na variedade desses fenômenos é seu
distanciamento do cristianismo institucional, a recusa de uma teologia abstrata,
a reivindicação da liberdade de seguir as inspirações
do Espírito Santo e a ênfase dada a fenômenos não-comuns,
considerados sinais da ação direta do Espírito na vida
dos indivíduos.
4. OS MOVIMENTOS PENTECOSTAIS MODERNOS
Os movimentos pentecostais modernos tiveram sua origem em
experiências espirituais acompanhadas de manifestações
extraordinárias, particularmente da fala em línguas ou glossolalia.
A glossolalia, registrada em Atos 2, é o fenômeno externo mais
conhecido nas comunidades pentecostais.
Dois lugares dos Estados Unidos se
tornaram famosos na origem do movimento pentecostal no século XX: A
escola Bíblica Betel em Topeka (Kansas), em 1901, e um antigo templo
metodista em Azusa Street, Los Angeles. A localização geográfica
não é ocasional. Ela revela o contexto não somente religioso,
mas também mais geralmente sócio-cultural que marca o pentecostalismo
moderno.
“Sob o aspecto religioso, a ênfase na mediação
emocional como evidência da presença de Deus na vida humana qualificou
em vários momentos o metodismo e os movimentos avivalistas nos Estados
Unidos. O crescimento desses movimentos em direção às
regiões do oeste daquele país, onde as conseqüências
da escravidão marcavam fortemente a vida da população
de raça negra, gerava com freqüência manifestações
físico-religiosas com lamentos, quedas no chão e contorções.
A ênfase espiritual foi devedora ao metodismo pelo testemunho da santidade
de vida e a busca daquela luz interior que brota da experiência imediata
do indivíduo com Deus. A localização imprimiu a marca
do mundo dos pobres de raça negra com sua sensibilidade e seus costumes.
As experiências religiosas
de Azusa Street, em Los Angeles, atraiam pessoas de todas as partes dos Estados
Unidos e rapidamente as novas práticas e pensamento pentecostal se
espalharam por todo o mundo.
5. OS PILARES DO PENTECOSTALISMO
"CLÁSSICO"
O terreno cristão sobre o
qual cresceu a planta pentecostal são os movimentos do pietismo e do
metodismo avivalista presente na sociedade americana que enfatizava a experiência
da conversão e a santificação e dividia os cristãos
em duas categorias: os "comuns" e os "santificados".
A raiz mais importante foi um movimento de reavivamento em
uma comunidade de pessoas de raça negra, que cultivava uma espiritualidade
ecumênica e que ultrapassava as diferenças de raça e de
classe. Na escuta das Escrituras e na oração, enfatizava-se
a expressão oral, própria da tradição popular
e africana, desconfiando da tradição escrita, teológica
e cultural. Rejeitava-se, também, a burocracia e a organização
formal. Em um clima de crescente emotividade, acolhia-se a manifestação
da graça de Deus com fenômenos corpóreos, lágrimas,
falas em línguas, danças, esmorecimentos, visões. Os
primeiros pentecostais se formaram nesse contexto cultural-religioso.
O pentecostalismo nasceu de fato
no interior do protestantismo, embora tenha encontrado terreno fértil
também na tradição catolico-romana. A "sola scriptura,
a sola gratia e a sola fides" (só a escritura, só a graça
e só a fé) legitimaram o nascer das novas experiências
comunitárias autônomas. Os contextos de oração
e de escuta da Palavra de Deus foram acompanhados por experiências compreendidas
como uma continuação dos fenômenos de Pentecostes. Na
Escola Bíblica Betel de Topeka, Charles Parham fixou os pilares daquele
que poderíamos chamar de primeiro pentecostalismo da nossa época.
O pregador William J. Seymour, em Azusa Street, reproduziu os ensinamento
do mestre. C. Parham assim sintetizou as etapas da soteriologia cristã:
a conversão/regeneração; a santificação;
o Batismo com o Espírito Santo, evidenciado pelo falar em línguas.
A Igreja do Evangelho Quadrangular
assumiu a base teológica do pentecostalismo clássico com a fórmula
popular: "Jesus salva, Jesus batiza com o Espírito Santo, Jesus
cura, Jesus virá outra vez".
6. UM FENÔMENO MUNDIAL
De Topeka, nos Estados Unidos (1901), mas também de
outros lugares onde aconteceram fenômenos semelhantes (Inglaterra, 1904,
Noruega e Suécia, 1907, Chile, 1909), as expressões pentecostais
difundiram-se no mundo inteiro, especialmente nos países do Terceiro
Mundo e nos de cultura católica. A mudança de contexto cultural
produziu fenômenos importantes. Nas Igrejas pentecostais da América
do Norte e da Europa, a cultura conservadora das pessoas de classe média
de raça branca substituiu a herança da cultura negra, originariamente
em busca de reconciliação e de participação comunitária.
A maioria dos grupos pentecostais, com algumas exceções, começou
a caracterizar-se pelo racismo, instituiu órgãos de governo
autoritário, formou uma classe profissional de pastores, elaborou um
sistema de financiamento e um renovado exclusivismo religioso.
Nos países do Terceiro Mundo, movimentos pentecostais
emergiram independentemente dos missionários que fundaram as primeiras
comunidades pentecostais. Às vezes nasceram por iniciativa e impulso
de líderes locais. No Brasil as experiências pentecostais foram
trazidas por pessoas que haviam vivido em uma comunidade desse tipo, em Chicago.
Luigi Francescon, ítalo-americano, fundou em São Paulo e em
Sto. Antônio da Platina a Congregação Cristã no
Brasil. Os sueco-americanos Daniel Berg e Gunner Vingren deram origem, em
Belém (PA), a comunidades que se integraram na Assembléia de
Deus. Entre 1911 e 1950 o pentecostalismo cresceu lentamente, mas se firmou
em todas as regiões do país.
7. PENTECOSTALISMO NO BRASIL
A história e as características do pentecostalismo
no Brasil têm sido estudadas de várias maneiras. Paul Freston
e outros têm usado a periodização das três ondas.
A primeira onda pentecostal registra a fundação e o surgimento
da Congregação Cristã do Brasil e da Assembléia
de Deus, nos moldes do pentecostalismo norte-americano de onde provinham os
fundadores.
Uma segunda onda pentecostal se iniciou nos anos 50 do século passado,
com ênfase não somente no falar em línguas, mas também
na cura divina e nos milagres. São numerosas as denominações
surgidas nesse período: igreja do Evangelho Quadrangular-Cruzada Nacional
de Evangelização (1953); Igreja Pentecostal "O Brasil para
Cristo" (1956); Igreja Pentecostal "Deus é Amor" (1961);
Metodista Wesleyana (1967) e muitas outras.
Nos anos 70, uma terceira onda pentecostal, que enraizou nas matrizes da cultura
brasileira, com uma série de modificações, deu início
a formas de pentecostalismo típico que é conhecido com o nome
de "pentecostalismo brasileiro". A Igreja Universal do Reino de
Deus (1977), a Igreja Internacional da Graça de Deus (1980), a Igreja
Cristo vive (1986), são expressões afirmadas do pentecostalismo
brasileiro.
A glossolalia, sinal exterior do Batismo com o Espírito Santo, a expectativa
de uma iminente volta de Cristo à Terra, a crença da interferência
dos demônios na vida cotidiana, características do "pentecostalismo
clássico", enfraqueceram e a acomodação à
nova situação social levou a enfatizar a saúde do corpo,
a solução dos problemas psíquicos, a prosperidade como
resultado imediato da experiência espiritual. Em tempo de recessão
econômica, depois da segunda guerra mundial, diante do aumento do número
de pobres, o pentecostalismo da segunda onda começou a sua pregação
de milagres e curas. Não é preciso esperar pelo céu.
Deus concede a prosperidade e a felicidade aqui e agora. Sendo o diabo, no
imaginário popular, causador de todas as coisas ruins que atacam os
seres humanos, o exorcismo assume destaque extraordinário nos ritos
pentecostais, mais do que a glossolalia. A apropriação de símbolos
populares - água, sal, óleo, chaves etc - se torna comum para
se atingir esta ou aquela finalidade no mundo do sagrado.
8. PENTECOSTAIS E CARISMÁTICOS
Por um duplo motivo os movimentos pentecostais se separaram
das demais comunidades eclesiais tradicionais: Os membros destas comunidades,
não tendo recebido a "efusão do Espírito",
eram considerados, pelos pentecostais, carentes de um dom fundamental, concedido
aos verdadeiros crentes pelo Espírito Santo. Por outro lado, em muitos
casos, as tradições cristãs estabelecidas rejeitaram
as expressões pentecostais considerando-as fanáticas e estranhas.
Quando nos anos 50 verificaram-se experiências do "Batismo com
o Espírito" no interior das Igrejas históricas, a atitude
dos pentecostais passou por uma mudança importante: "todos os
que receberam o Espírito Santo são salvos e podem ser contados
entre os santos", ainda que permaneçam nas suas Igrejas de origem.
Os movimentos pentecostais que permaneceram no interior das Igrejas de origem
são chamados de movimentos carismáticos para distingui-los daqueles
pentecostais que têm constituído comunidades autônomas.
Em 1967, uma renovação carismática teve início
e cresceu rapidamente no meio católico-romano. Tornou-se conhecida
com o nome de Renovação Carismática Católica.
Pelo fato que esses cristãos mantém sua pertença à
comunidade de origem, nasce uma situação nova: os pentecostais
clássicos reconhecem a comunhão com aqueles que são batizados
com o Espírito, mas não com a comunidade cristã à
qual eles pertencem.
Hoje, no interior de Igrejas cristãs estabelecidas: católica,
anglicana, luterana, metodista e outras, os movimentos de avivamento de perfil
pentecostal atraem membros da mesma comunidade e alimentam aquele sentimento
de grupo eleito e renovado com relação aos outros membros da
mesma comunidade considerados cristãos não fiéis ou apenas
nominais. Os grupos carismáticos que permanecem no interior de suas
instituições conservam alguns elementos culturais da comunidade
de origem, mas se caracterizam pela ênfase nos elementos pentecostais.
Crescem assim forças centrífugas que ameaçam a unidade
das Igrejas históricas e não são raros os casos de fragmentação
interna e até de separação com a finalidade de constituir
comunidades autônomas de tipo pentecostal. Existe, ao lado do movimento
de renovação carismática no interior das Igrejas estabelecidas,
uma tendência não claramente identificável que se organiza
externamente a todas as Igrejas instituídas, inclusive pentecostais.
Na América do Norte são hoje cerca de seis milhões os
carismáticos independentes.
Visando canalizar a presença carismática no álveo da
tradição católica, a Exortação apostólica
Christifideles Laici (n.30) indica critérios de eclesialidade válidos
para todos os movimentos laicais, mas dirigidos especialmente às recentes
expressões carismáticas: a) a vocação à
santidade; b) a responsabilidade de confessar a fé católica;
c) o testemunho de comunhão; d) a participação na finalidade
apostólica da Igreja; e) o empenho de presença na sociedade
humana a serviço da dignidade integral do ser humano.
9. TEOLOGIA E ECLESIOLOGIA PENTECOSTAL
Embora nascido do protestantismo, o pentecostalismo substitui
doutrinas fundamentais da teologia protestante com novas afirmações.
Os princípios da "sola scriptura, sola fides e sola gratia"
são enfraquecidos pela adoção das revelações
individuais, pelo uso da Bíblia como um objeto mágico-terapéutico,
pelo sentimento de confirmação da salvação e revelação
de Deus e pelo esforço e o sacrifício pessoal. O poder de mediação
do líder carismático obscurece aos poucos o princípio
do sacerdócio comum dos fiéis, pelo qual todo crente tem livre
acesso a Deus, em Cristo único mediador. A teologia da prosperidade
faz desaparecer a ênfase tradicionalmente colocada na escatologia.
No pentecostalismo clássico prevaleceu a idéia da formação
de pequenas comunidades e de redes de apoio mútuo, empregadas com sucesso
no combate à anomia e ao desenvolvimento de relações
acolhedoras e de participação. Mas o pentecostalismo de última
geração adota a figura do auditório, de um supermercado
de bens religiosos, padroniza o ritual, centraliza o poder eclesiástico,
colocando tudo nas mãos de uma autoridade carismática. O serviço
litúrgico tende à descompressão psicológica e
é transformado em um tempo em que, através da música
e da dança, transmite-se otimismo, esperanças e utopias, fazendo
esquecer os sofrimentos da vida e as misérias do mundo.
Da matriz católica popular, o pentecostalismo tem enfatizado a idéia
de templo-santuário, lugar da benção, do pagamento das
promessas e do milagre. Os sacramentais em uso na Igreja Católica (água
benta, óleo) elementos sagrados, ricos de energia, portadores de cura
e proteção, são utilizados e multiplicados indefinidamente.
O exorcismo é o meio a disposição do pastor pentecostal
ou do líder carismático para a libertação de pessoas
enfermas ou com problemas que parecem sem solução, porque consideradas
vítimas do poder do demônio.
10. IGREJA CATÓLICA E MOVIMENTOS PENTECOSTAIS
O crescimento pentecostal no Brasil foi acompanhado por uma
perda de fiéis sem precedentes por parte da Igreja Católica.
Esse fato parece condicionar as diretrizes da ação pastoral
e evangelizadora da Igreja Católica, no Brasil e em outros países.
Deixando de lado, às vezes, o peso das múltiplas causas do deslocamento
de católicos para outras comunidades cristãs ou para a não
pertença a comunidade religiosa alguma, os católicos reagem
concentrando suas atenções no desafio pentecostal. Tendo como
público alvo pessoas que, de maneira muito geral são consideradas
afastadas, a ação evangelizadora ou missionária da Igreja
Católica recupera as ferramentas da ação pastoral dos
anos 50 e aposta novamente nas devoções e nas missões
populares. Uma orientação catequética integralista, conduzida
com decisão por institutos religiosos e seculares e por movimentos
de perfil restaurador, reaviva as devoções tradicionais do catolicismo
(terço em família, novenas, bênçãos, exorcismos,
romarias etc.). Utilizando o instrumental pentecostal, a reação
católica conta com o incentivo aos meios de comunicação
de massa para contrastar a ação proselitista de comunidades
pentecostais. Com o apoio ao carismatismo interno, expresso pela Renovação
Carismática Católica e por novas comunidades, oferece aos seus
fiéis uma alternativa que deveria frear o êxodo para comunidades
pentecostais autônomas.
Uma perspectiva diferente é dada pela abertura de espaços de
diálogo ecumênico, indicado nos documentos oficiais e conduzido
também, de fato, com os pentecostais clássicos pelo Pontifício
Conselho para a promoção da unidade dos cristãos. Enquanto
parece bastante enfraquecido o diálogo cultural da Igreja Católica
com a sociedade brasileira, continua ainda a colaboração ecumênica
com segmentos protestantes e pentecostais nas pastorais sociais, nos Inter-eclesiais
de CEB´s e nas Campanhas da Fraternidade.
11. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Walter Hollenweger, especialista mundialmente reconhecido
do movimento pentecostal, afirma que o cristianismo cresce no mundo nas formas
do pentecostalismo mundial e não nas formas tradicionais. Não
há como pensar em outra perspectiva que não seja ecumênica,
daquele ecumenismo que busca a unidade visível do povo cristão.
Há necessidade urgente de um diálogo entre as Instituições
cristãs tradicionais e as novas comunidades pentecostais. Algumas delas
já marcam presença em organismos ecumênicos e um certo
número de pastores reflete com competência sobre as questões
teológicas a partir do interior dos movimentos pentecostais. Na América
Latina os movimentos pentecostais não são apenas formas de protestantismo
não conformista, mas também formas de espiritualidade católica
popular. A pluralidade das expressões pentecostais e uma série
de questões bíblicas, teológicas, eclesiológicas
e de espiritualidade cristã são levantadas de ambas as partes.
A disposição ao diálogo ainda é insuficiente.
Mas permanecem alguns dados de fato que não podem ser ignorados: os
movimentos pentecostais se consolidam no mundo interiro, especialmente no
terceiro mundo, como formas de professar a fé cristã. As Igrejas
cristãs de mais antiga formação têm dificuldade
de comunicação e diálogo no contexto das culturas contemporâneas.
Um diálogo intenso deveria ser estabelecido entre as diferentes expressões
cristãs, antigas e modernas, em vista de um claro e inconfundível
testemunho comum a Jesus Cristo, em fidelidade ao Evangelho.
12. PERGUNTAS E TAREFAS
12.1. Perguntas
- Qual é o papel do Espírito Santo na vida da Igreja e do povo?
- Os movimentos pentecostais apontam para uma lacuna no catolicismo institucional.
Qual é essa lacuna?
- Como o Espírito Santo poderia ser resgatado na vida da Igreja povo
de Deus?
- O quê significa: viver na unidade do Espírito Santo?
12.2. Tarefas
- Visitar uma Igreja Pentecostal "clássica" (ex. Assembléia
de Deus) e uma Igreja "neo-pentecostal" de origem brasileira (ex.
Igreja Universal do Reino de Deus) e anotar as características e comparar.
- Assiste uma missa pentecostal transmitida pela televisão e descreve
o quê você acha simpático e o quê você acha
estranho.
- Faça entrevistas com o povo que assiste os cultos pentecostais católicos
e pergunte: O quê você entra nesses cultos que você não
encontra em sua paróquia?
13. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
13.1. Documentos eclesiais
- CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA UNIDADE DOS
CRISTÃOS. Diálogo Católico-Pentecostal. Evangelização,
proselitismo e testemunho comum. Relatório do diálogo internacional
(1990-1997) do Pontifício Conselho para a promoção da
unidade dos cristãos, A voz do Papa, n.162, Paulinas, São Paulo,1999.
- CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. A Igreja
Católica diante do pluralismo religioso no Brasil, Estudos da CNBB
n. 62, 69, 71, São Paulo: Paulinas, Paulus, 1991, 1993, 1994.
- CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Orientações
pastorais sobre a renovação carismática católica,
Documentos da CNBB, n. 53, São Paulo: Paulinas, 1994.
- COMISSÃO EPISCOPAL PATORAL PARA A DOUTRINA DA FÉ.
Igreja particular, movimentos eclesiais e novas comunidades, Col. Subsídios
Doutrinais da CNBB, n.3., São Paulo: Paulinas, 2005.
13.2. Bibliografia
geral
- ANTONIAZZI, Alberto et alii. Nem anjos nem demônios:
interpretações sociológicas do pentecostalismo. Petrópolis:
Vozes, 1996.
- FABRI DOS ANJOS, Márcio (org.). Sob o fogo do Espírito.
São Paulo: Paulinas/Soter, 1998.
- CARRANZA, Brenda. Renovação Carismática
Católica: origens, mudanças e tendências. Aparecida: Santuário,
2000.
- MARIANO, Ricardo, Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo
no Brasil. São Paulo: Loyola, 1999.
- PASSOS, João Décio (org.). Movimentos do
Espírito: Matrizes, afinidades e territórios pentecostais. Paulinas:
São Paulo, 2005.
CONCILIUM/181.
Novos movimentos religiosos, 1983/1.
CONCILIUM/265. Movimentos pentecostais. Um desafio ecumênico, 1996/3.
CONCILIUM/301. Movimentos na Igreja, 2003/3.