6.6. MISSÕES POPULARES
Luis Mosconi
Firmino Spiegel
1. RESUMO E OBJETIVO
Resumo
No Brasil há várias experiências de Missões Populares. Essa aula conta
uma delas e, ao mesmo tempo, é um guia que conduz à realização de novas
experiências semelhantes. Através de um breve histórico e da caracterização
como “tempo especial”, que faz descobrir o “tempo normal” da missão de cada dia,
a aula procura aprofundar os objetivos das Missões Populares e mostrar a sua
metodologia. As Missões Populares despertam para o sonho e a utopia da Missão
de Deus no meio de nós. Algumas perguntas pertinentes procuram aprofundar os
conteúdos e envolver os alunos e as alunas.
Objetivo
O
objetivo desta aula é situar a proposta das
Missões Populares no contexto amplo da sociedade e das pastorais como um
instrumento de inspiração espiritual, de revigoramento pastoral através do eixo
permanente e prioritário que é a “missão”, e de transformação social. O
participante desta aula deve perceber a beleza da proposta e ter a
possibilidade de encaminhar a própria base pastoral para, quem sabe um dia,
realizar essa proposta.
2. BREVE HISTÓRICO
Tudo começou em 1990, no
Estado do Pará, entre alguns agentes pastorais e lideranças das CEBs.
Constatávamos, com satisfação, muitos aspectos positivos; ao mesmo tempo
percebíamos que as pastorais, em geral, apesar de iniciativas generosas, não
conseguiam sintonizar com as aspirações das massas. Muitos católicos viviam
afastados de suas comunidades (um problema que continua até hoje). Víamos que as
causas disso não estavam somente no povo, mas também na maneira de fazer
pastoral; sentia-se a necessidade de buscar caminhos novos. De repente, alguém lançou uma pergunta: E por que
não fazer Santas Missões?
Sentia-se a necessidade de
que os missionários viessem do meio do
povo; que as Santas Missões fossem mais existenciais, mais inculturadas,
mais abertas aos problemas humanos e sociais; e também que entre os objetivos
não faltassem o cultivo do seguimento a Jesus Cristo, a valorização e a defesa
da vida. Com as Missões Populares pensávamos em intensificar a caminhada das comunidades, fazendo das paróquias,
onde elas iriam acontecer, uma rede de
pequenas comunidades eclesiais.
Nesse sentido, a primeira
experiência realizou-se em 1991, numa paróquia do sul do Pará, Xinguara – na
época, uma região marcada pela violência do latifúndio. Foi uma experiência
inesquecível. As pessoas mais envolvidas, cerca de duzentos missionários, entre
os locais e os que tinham vindo de outras paróquias para ajudar nos dias de
maior pique, queriam continuar. Continuamos e nunca mais paramos. Ao longo
desses anos foram preparados mais de 100 mil missionários - jovens, adultos,
idosos - das Santas Missões Populares. Assistimos o nascimento de um movimento
missionário.
3. UM TEMPO ESPECIAL
As Missões Populares não
são um movimento pastoral à parte e, sim, um serviço à Pastoral. Elas levam em
conta as pessoas, a realidade pastoral do lugar e as grandes opções da Igreja
na América Latina (Medellín, Puebla, Santo Domingo).
Por que as Missões
Populares são um tempo especial? Pela intensidade da proposta e por uma
finalidade pedagógica. O normal da nossa vida é o cotidiano, o dia-a-dia. As
Missões Populares querem ser um serviço à cotidianidade da vida, relembrando e
atualizando rumos, valores, atitudes, posturas, opções inegociáveis. Nossa vida
precisa, de vez em quando, de um tempo especial, para acordar, para sacudir; é
uma necessidade antropológica. De fato, quase sem perceber, caímos na rotina,
corremos o perigo de viver uma vida repetitiva, rasteira, acomodada, arrastada,
sem sonhos.
O mesmo perigo acontece
também nos trabalhos pastorais. É importante perceber avanços, impasses,
recuos, para agir eficazmente nelas através das Santas Missões Populares [fazer um trabalho de grupo ou cochicho para
levantar as atitudes e os elementos que bloqueiam uma pastoral missionária
profética no dia-a-dia].
As Missões Populares querem
marcar presença significativa nessas situações pastorais. Situações das quais
elas podem também se tornar vítimas. Isso depende muito do nível de consciência
das equipes pastorais que conduzem o processo.
4. OBJETIVOS
Os objetivos das Missões Populares relacionados a seguir foram se firmando aos poucos, com a contribuição de
muitos missionários e missionárias:
a) Ajudar as pessoas a dar
um sentido autêntico à própria vida, no aqui e no agora. Ser sujeito histórico
é o maior desafio para qualquer pessoa, de qualquer raça, crença, cultura,
época e lugar.
b) Vivenciar a
espiritualidade do seguimento de Jesus Cristo e do seu Evangelho, como caminho
seguro para uma autêntica existência humana e para construir uma sociedade
justa, fraterna e solidária.
c) Convidar e envolver o
maior número de pessoas no grande mutirão em defesa da vida e da cidadania para
todos.
d) Fortalecer, reinventar,
reproduzir a caminhada das CEBs (pequenas comunidades eclesiais), dando a ela
maior qualidade.
e) Aprender a viver a
comunhão no pluralismo dentro da nossa Igreja, como também em relação à
sociedade e às outras Igrejas.
f) Valorizar, vivenciar,
purificar, à luz do Evangelho de Jesus Cristo, as culturas, a religião popular
e a história vivida, e muitas vezes sofrida, do povo.
g) Despertar nas pessoas o
gosto pela missão, pelo conhecimento do outro, do diferente, como algo que enriquece.
5. METODOLOGIA
A metodologia está a
serviço dos objetivos, é iluminada por eles e é marcada pelas situações
concretas. Nas Santas Missões Populares a metodologia deve dispensar uma
atenção especial aos seguintes pontos:
5.1. Lugar e destinatários
As Missões Populares devem
atingir toda a área da paróquia, tanto o interior como a cidade, onde querem
provocar uma mexida significativa e ajudar a fazer da paróquia uma rede de
pequenas comunidades eclesiais.
As Missões Populares são
uma proposta da Igreja Católica, mas estão abertas a todas as pessoas que moram
no território onde elas acontecem. Sem fanatismo, sem concorrência, sem
ingenuidade. As pessoas que participam como agentes das Missões Populares,
gostam do povo, amam as pessoas, são ecumênicas, pois colocam em primeiro lugar
a vida com seus problemas, alegrias e desafios; e a vida é ecumênica. Nas
Missões Populares se desperta uma atenção especial aos católicos afastados e
aos preferidos de Jesus Cristo: os pobres, os pequenos, os marginalizados, os
sociocultural e economicamente excluídos, os sem-voz e sem-vez. A opção pelos
pobres é uma questão de fé que faz parte intrínseca do seguimento a Jesus
Cristo.
5.2. Preparação e realização: as diferentes etapas
A duração das Missões
Populares está ligada aos objetivos e à situação do lugar onde elas acontecem.
Geralmente há bastante falhas a esse respeito: muita correria, planejamento
superficial, atividades apressadas. Existe o perigo da massificação. Após anos
de experiência, achamos que a duração de cada Missão Popular deve ser de dois
anos, com as seguintes etapas:
a) Etapa do namoro. Quando
o pároco ou, melhor ainda, a equipe pastoral paroquial pede ajuda à equipe
especializada para realizar as Missões Populares. Sugerimos primeiro um conhecimento
profundo e detalhado da proposta nos seus conteúdos e metodologia. Geralmente
isso acontece através do estudo do livro das Santas Missões Populares,
publicado por nós e que funciona como um manual. Ao mesmo tempo, é importante
que se fale sobre o assunto nas celebrações, nas reuniões de grupos, nas
pastorais e comunidades; que se reze, para chegar a uma decisão consciente,
assumida, participativa, tomada possivelmente numa assembléia extraordinária da
paróquia. Essa etapa leva cerca de três meses.
b) Etapa do noivado. Como o
noivado é o tempo bonito da preparação intensa ao casamento, assim também é
esta etapa das Missões Populares. Forma-se uma coordenação paroquial com a tarefa de
articular e acompanhar todo o processo. Para evitar trabalhos paralelos,
sugere-se que a coordenação seja assumida pelo mesmo conselho pastoral
paroquial ampliado. A coordenação enviará uma carta circular a todos os grupos,
pastorais, comunidades, movimentos, dando a boa notícia. A partir desse
momento, a Missão Popular torna-se o eixo de toda pastoral. A paróquia deve
evitar, nesse período, trabalhos paralelos, pois são altamente prejudiciais.
Intensifica-se a seleção
dos missionários e das missionárias, em cada setor. Isso deve ser feito de uma
maneira clara, cativante, consciente, responsável, aberta, ao estilo de Jesus,
que deu chance até a pessoas “suspeitas” e inexperientes, como os apóstolos, na
maioria pescadores; Judas, os simpatizantes do movimento zelota; as mulheres
como Maria Madalena e a samaritana. Organizam-se várias equipes de serviço para
preparar o primeiro retiro dos missionários. Essa etapa leva cerca de três
meses.
c) Etapa da pré-missão. É
casamento pra valer! E haja paixão! Há um crescendo de atividades destinadas a
acordar e envolver o maior número possível de pessoas nas propostas das Missões
Populares. Essa etapa começa com o primeiro grande retiro dos missionários. No
final do retiro ocorre a Missa de envio dos missionários com a presença do
maior número possível de pessoas de toda a paróquia. Esse período tem a duração
de sete a dez meses, com sugestão de atividades específicas a cada mês, fruto
de experiências comprovadas ao longo desses anos. Em seu decorrer, haverá
outros dois grandes retiros para os missionários locais, pois são eles que conduzem
todo o processo das Santas Missões Populares.
d) Etapa da grande semana
missionária. É o momento mais intenso, mais celebrativo da Missão Popular. É a
“etapa do saborear” a beleza do Evangelho vivido, testemunhado, celebrado. É
uma etapa profundamente eclesial, com a presença de missionários (leigos,
padres, religiosas) vindos de outras paróquias e comunidades e, na medida do
possível, do bispo diocesano.
e) Etapa da pós-missão. É a
“etapa do aprofundar e articular” todas as forças vivas que despertaram ao
longo das etapas anteriores. Duração: um ano (até o aniversário da semana
missionária). É uma etapa muito importante. É em seu decorrer que se pode
verificar se foi bem captado o espírito da Missão Popular e se ela foi bem
acompanhada.
5.3. Setores missionários
É importante organizar em
setores missionários toda a área onde vai acontecer a Santa Missão Popular, em
vista de contatos mais personalizados e do surgimento de missionários e seu
respectivo acompanhamento.
Baseado em experiências
anteriores, nas áreas do interior, o setor deve ser formado por duas a quatro
comunidades próximas, para permitir um trabalho em conjunto. Quando em certos
lugares, por causa das distâncias, não é possível juntar comunidades, buscam-se
outras soluções. Nas grandes cidades, para permitir um trabalho bem
personalizado, achamos que cada setor deve atingir uma área de cerca 3 mil
habitantes (nas cidades menores, os setores podem ter menor número).
A Missão Popular acontece em todos
os setores com a mesma programação, decidida nos grandes retiros dos
missionários. Cada um deles costuma ter um dinamismo próprio, conforme a
realidade, o nível de consciência e atuação dos missionários. Critérios
importantes são a fidelidade e criatividade, a comunhão e o pluralismo. Os responsáveis
pelo bom andamento do setor são os missionários que são seus moradores. Nesse
caso, ser responsável significa ter a capacidade de envolver o maior número
possível de pessoas, conduzindo o processo dentro dos objetivos e da
metodologia decididos nos grandes encontros de formação dos missionários.
5.4. Perfil dos missionários e das missionárias
Optamos por uma presença
numerosa, qualificada, participativa de missionários. Por causa do papel
fundamental dos missionários nas Missões Populares, sua formação e seu
acompanhamento são de grande importância. Geralmente, pastorais, grupos,
comunidades, movimentos eclesiais e sociais, mesmo os ditos “mais avançados”,
criam muita dependência entre seus membros. Sente-se falta de pessoas que sabem
assumir, personalizar convicções e opções. Há mais pessoas tarefeiras do que
criativas.
Nas Missões Populares
apostamos muito na quantidade e na qualidade dos missionários. Todas as forças
vivas da paróquia, de todas as idades e categorias sociais, são convidadas a serem
missionárias no setor onde moram. Não se trata de acabar com isso ou aquilo,
mas de viver o período da Missão Popular como um tempo especial, com forte ardor missionário,
saindo de esquemas mais rotineiros.
Os efeitos que irão
aparecer, logo ou mais adiante, são muito positivos: preconceitos são
derrubados, barreiras são superadas; grupos e pessoas que se desconheciam,
agora se descobrem, partilham, criam laços, se abraçam, valorizando dons e
diferenças, dentro de um processo de conversão permanente que envolve a todos.
É toda a paróquia em estado de missão. Vai ser uma mexida muito grande, uma
ventania do Espírito Santo, um novo Pentecostes. É um tempo de formação
eclesial, ecumênico, orante e militante.
O convite a ser missionário
é dirigido também a pessoas afastadas, através de contatos personalizados,
priorizando opções e estilos de vida, acima de leis e normas. Ao longo da
pré-missão, novos missionários irão surgindo. Os que começaram primeiro terão a
tarefa de acolhê-los e de partilhar com eles o caminho percorrido até o
momento.
Costumamos distinguir os
missionários “locais” dos missionários “de fora”. Os locais são os que moram na
paróquia onde está acontecendo a Missão; os de fora são os que já saborearam
essa experiência em suas paróquias/comunidades e que foram enviados por suas
comunidades, sobretudo para ajudar no tempo da grande semana missionária.
5.5. Presença dos padres
Na nossa Igreja, há muito
poder de decisão concentrado nas mãos dos padres. Não está bem clara a relação
entre ministério e diretrizes pastorais. Essas deveriam ser decididas nas
assembléias, enquanto o ministério do pároco deveria ser um serviço para realizar
as diretrizes. Como conseqüência, há muita dependência no trabalho das pessoas
que atuam nas pastorais. Não se trata somente de democratizar o poder, mas de
viver a espiritualidade do discipulado, cada um assumindo tarefas diferentes,
conforme seus dons e valores.
Pelos motivos lembrados
acima, as Missões Populares dependem muito do tipo de presença do pároco. No
interior do espírito das Missões Populares, aos párocos se sugere as seguintes
atitudes:
a) Crer no valor da
proposta; abraçá-la de corpo e alma, no espírito, no conteúdo e na metodologia
básica.
b) Priorizar a Missão
Popular. Ela deve ser o eixo de toda pastoral. Decidir juntamente com todos os
missionários locais (o momento ideal é durante o primeiro grande retiro) os
rumos, os objetivos da Missão. Evitar com firmeza trabalhos paralelos.
c) Participar intensamente
e de forma personalizada de todo o processo.
d) Estar aberto ao novo,
aos apelos, às luzes que vão aparecendo. Nunca querer adaptar o novo aos nossos
esquemas.
e) Docilidade interior e
atitude de conversão permanente.
f) Uma grande paixão
missionária. Ir sempre além, sair da rotina, em busca permanente, com uma
grande atenção às pessoas e aos momentos históricos que estamos vivendo.
g) Apostar na capacidade
dos missionários leigos, dar toda chance e confiança, não por estratégia, mas
movidos pela fé e pelo amor às pessoas.
h) Saber conduzir todo o
processo com discernimento, com sabedoria, com coração de pastor, profeta e
conselheiro; valorizando todo o positivo que aparece, aprendendo com as falhas,
apontando sempre caminhos de esperança.
As Santas Missões Populares
são uma verdadeira escola de vida para os padres, as religiosas e as demais
lideranças pastorais.
5.6. Crianças e adolescentes missionários
Quando começamos a
caminhada das Missões Populares não pensávamos nas crianças como missionárias.
A partir de 1995, foram elas mesmas que irromperam. Foram acolhidas com
simpatia e empatia; e elas começaram a fazer maravilhas. Hoje não entendemos
mais Missões Populares sem a presença criativa das crianças e dos adolescentes.
Sem eles, que são portadores das boas notícias de Deus e dos valores do Reino,
elas não seriam populares.
Acontecem jornadas de
encontros para crianças missionárias, para adolescentes missionários, a fim de
que elas mesmas decidam o tipo de presença que querem marcar nas Missões
Populares. Dá-se espaço a elas nas reuniões dos missionários, nas decisões, nas
celebrações. Criam atividades, tomam iniciativas. Em cada setor deve haver uma
pequena equipe de missionários jovens e adultos liberados para o trabalho com
as crianças e adolescentes. São chamados de acompanhantes, para não esquecer
que são as crianças e adolescentes que conduzem sua presença nas Santas Missões
Populares.
6. SONHOS E DIFICULDADES
6.1. Sonhos
Os sonhos sustentam a
caminhada, sobretudo nas encruzilhadas difíceis. Sonhar é romper as barreiras
do medo, da mesquinhez, da incoerência. Sonhar é dar asas ao mais autêntico que
há em nós, às grandes aspirações presentes nos gemidos da humanidade e dos
acontecimentos históricos que estamos vivendo. Sonhar é preciso, sempre; faz
bem, renova; melhor ainda quando sonhamos juntos, em mutirão.
Há sonhos bonitos presentes
nos grandes objetivos das Missões Populares. É difícil esquematizar sonhos,
mesmo assim podemos indicar os mais significativos:
a) As Santas Missões
Populares desenvolvem um grande amor, uma paixão pelo povo, sem massificação ou
populismo. O amor sempre personaliza as relações humanas.
b) As Missões Populares
querem ajudar as pessoas a encontrar e dar um sentido autêntico à vida. Querem
ajudar as pessoas a resgatar sua memória histórica, a serem sujeitos capazes de
corajosas opções de vida.
c) As Missões Populares
cultivam a espiritualidade do seguimento de Jesus Cristo como caminho seguro
para uma autêntica existência humana; e a propõem a todos e todas.
d) As Missões Populares
procuram despertar para os valores humanos e evangélicos da conversão
permanente, da reconciliação, da gratuidade de uma vida solidária, simples e
transparente; do silêncio, da escuta, da contemplação.
e) As Missões Populares
forjam um sacerdócio missionário, co-responsável, a serviço de toda a Igreja
diocesana. Um presbitério que acredite no protagonismo dos leigos. A ação
pastoral em torno das Santas Missões aposta na caminhada das pequenas
comunidades eclesiais situadas no tempo e no espaço.
f) As Missões Populares colocam,
com espírito de diálogo inter-religioso e ecumênico, a missionariedade da
Igreja local no centro de suas atividades pastorais.
6.2. Dificuldades
Uma dificuldade particular
das Missões Populares vem das pastorais, às vezes,marcadas pela fragmentariedade,
superficialidade e ativismos sem rumo claro. Há mais gestos e ritos religiosos
do que mística e espiritualidade; mais barulho do que silêncio e contemplação;
mais estacionamento do que caminho; mais medo do que ousadia; mais rostos
cansados do que gosto e paixão.
Outra dificuldade são as
situações difíceis em que vivem muitas pessoas: desemprego, perda de
referenciais e valores. Vivemos numa sociedade marcada pela desigualdade, pela
violência, pelo medo, pela indiferença. São situações que ameaçam derrubar
sonhos e esperanças. Sente-se falta de personalidades verdadeiras, de
lideranças eclesiais, sociais e políticas capazes de testemunhar, assumir e
conduzir autênticas aspirações humanas. Outra dificuldade é a superficialidade,
a falta de convicções profundas tão necessárias nas horas difíceis da
travessia.
Como assumir dificuldades e
falhas, fazendo delas ocasião para purificar e refazer nossas opções? Perdão,
discernimento, esperança, ousadia se fazem necessários. Sente-se necessidade de
as equipes pastorais paroquiais captarem melhor o espírito e o conteúdo das
Missões Populares e de assumi-las com fidelidade e criatividade.
Apesar das falhas que
ocorrem nas Missões Populares, o saldo continua positivo, porque o projeto das
Missões Populares requer a participação de todos.
7. TAREFAS E PERGUNTAS
- Qual é
o objetivo mais significativo das Missões Populares?
- As
Missões Populares favorecem uma pastoral de conservação ou de transformação?
- Quem
já participou de Missões Populares deve ter a possibilidade de falar dessa
experiência. Como foi a continuidade?
- Quais as dúvidas, quais as
certezas que ficam a respeito das Missões Populares?
-
Trabalhar com as massas e/ou com pequenos grupos? Como você analisa esta
questão? Há relação?
8. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO
BRASIL/CNBB (Ed.). Santas Missões
Populares. Projeto Nacional de Evangelização. Queremos ver Jesus, caminho,
verdade e vida. São Paulo: Paulinas e Paulus, 2004.
MOSCONO, Luis. Santas Missões Populares. 10.ª ed. São Paulo: Paulinas, 2004.
VVAA. PRIMEIRO CONGRESSO MISSIONÁRIO NACIONAL. Igreja no Brasil, tua vida
é missão. Memórias. Belo Horizonte: Conselho Missionário Nacional (Comina),
2003.