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MENSAGEM da 15a
Assembléia Geral do Conselho Indigenista Missionário/Cimi realizada em
Luziânia/GO, de 4 a 8 de agosto 2003 Missionárias e missionários, bispos e líderes
indígenas avaliaram a atuação do Cimi junto aos povos indígenas no atual
contexto político brasileiro. Contaram o mito da refundação da ação
missionária, a partir de 1972, e a história profética de sua presença nas
aldeias indígenas. Essa nova presença era e é um dique contra a integração
subordinada e assimétrica dos povos indígenas no Estado brasileiro, luta que
hoje também está presente no combate à proposta da ALCA que visa à mesma
integração subordinada dos países latino-americanos ao império capitaneado pelo
governo dos Estados Unidos. As notícias trazidas dos quatro cantos do país,
pelos participantes da Assembléia, configuraram um quadro preocupante de um
continuísmo político inerte. Causaram profunda indignação: - os 18 assassinatos de lideranças indígenas nos
primeiros sete meses deste ano; - a ausência completa de uma nova política
indigenista ou, ao menos de sinais que apontem para as “substanciais mudanças”
no trato com os povos indígenas, como prometeu o “Compromisso com os Povos
Indígenas”, parte integrante do Programa de Governo 2002 do presidente Lula; - o fortalecimento dos setores antiindígenas em
diferentes Estados, diante da indefinição da política indigenista do governo
federal; - a protelação de decretos de homologação e
demarcação de terras indígenas já delimitadas, por exemplo, Raposa Serra do
Sol, em Roraima e La Klanõ do povo Xokleng, em Santa Catarina, bem como a
protelação da assinatura do decreto que incorpore ao ordenamento jurídico
nacional a Convenção 169 da OIT; - terras indígenas sendo usadas como moeda de troca
para negociar uma suposta governabilidade; - o não reconhecimento étnico e territorial dos
“povos resistentes”, a exemplo do povo Anacé, no município de São Gonçalo do
Amarante/CE; - a presença militar nos territórios indígenas da
Amazônia, amparada pelo decreto inconstitucional 4412/02, reproduzindo a
dominação colonialista; - o progressivo fechamento de canais de comunicação
entre instâncias do governo ao movimento indígena e indigenista; - a ausência de proteção a grupos “isolados” que
estão em situação de risco de extermínio nos Estados do Mato Grosso, Rondônia,
Acre e Amazonas; - o agravamento da situação de saúde em muitas áreas
indígenas; - a continuidade da migração indígena para as
cidades, devido à desassistência dos
povos indígenas em suas aldeias. Diante do quadro exposto, o Cimi exige a revogação
dos decretos 1775/96 e 4412/02, cobra as promessas de mudanças estruturais do
governo Lula e espera a ruptura com o continuísmo inerte que recai sobre a vida
dos mais de 250 povos indígenas, e intensifica sua ação formativa junto às
comunidades indígenas. Já se esgotou a paciência de aguardar soluções nas
ante-salas dos gabinetes do governo Lula. Vale também, na atual conjuntura, o
aprendizado destes 30 anos de luta que mudanças substanciais, na condução da
política indigenista, não são dádivas dos governos, mas resultado da
articulação e organização dos próprios povos indígenas. Somente sua ampla
mobilização será capaz de decidir os novos rumos de uma política indigenista
que favoreça seu projeto. O
núcleo de inspiração mística do Cimi, configurado na construção do Reino de
Deus, coloca os missionários e as missionárias ombro a ombro com o movimento
indígena. O projeto de Deus encontra seus protagonistas fora dos conchavos
políticos, dos convênios inconvenientes, das parcerias oportunistas e da
governabilidade de um projeto ainda orientada pelas amplas negociações com as
elites. Na luta pelos direitos dos povos indígenas, nos
move a fé na vitória, porque essa luta representa a causa universal de um mundo
para todos. Venceremos essa luta pelo protagonismo dos povos indígenas e a sua
autonomia, não porque vencer seja nosso destino, mas sim porque estamos
trabalhando, diariamente, ao lado dos povos indígenas por este objetivo e
porque somos muitos e unidos. No sonho de um outro mundo possível antecipamos o
óbvio de um mundo para todos que virá. Os participantes da 15a Assembléia Geral
do Cimi |
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