Casaldáliga: na despedida, a parábola de toda uma vida

de José Oscar Beozzo

Na manhã do domingo, dia 9 de agosto, no presbitério da Igreja dos Claretianos em Batatais SP, ao redor do altar e do ambão, mesa do Pão e mesa da Palavra, encontravam-se Dom Moacir Silva, arcebispo de Ribeirão Preto SP, acompanhado por outros bispos, presbíteros e diáconos, para a missa de exéquias de Dom Pedro Casaldáliga CMF, falecido na manhã anterior.

Na nave da igreja, separada do presbitério e do altar, estava plantado Pedro, no espaço reservado ao comum dos batizados e batizadas, imóvel, na sua última e solitária conversa com Deus.

Como Jesus, que se retirou do tumulto da multidão que o cercava e queria aclamá-lo rei, depois que multiplicara os cinco pães e dois peixes para cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças, assim também ganhava Pedro, aquele espaço apartado, para seu merecido descanso.

Partiu para orar sozinho, como tantas vezes fizera Jesus:

Depois de despedi-las [as multidões] subiu à montanha sozinho para rezar” (Mt 14, 23).

Cedo nas madrugadas ou tarde nas noites, Pedro sempre foi um orante, em contínuo diálogo com Deus, um místico naquela comunhão do amado com a amada.

Tinha o seu cantinho para orar, uma capelinha aberta, sem portas nem janelas para serem fechadas, em comunhão com a natureza em volta, com árvores e pássaros, aberta para quem quisesse entrar, juntar-se ao Ofício das Comunidades ou rezar sozinho.

Mas Pedro prosseguia sempre, em qualquer circunstância, no seu diálogo interior. Isso, mesmo quando sacoleja horas a fio nos ônibus precários pelas estradas de terra da Prelazia, ou mal acomodado nos barcos, subindo e descendo o Araguaia, para visitar comunidades ribeirinhas ou aldeias indígenas.

Faça o download do artigo completo clicando aqui.